• Home
  • Sobre o Site
  • Quem Somos
  • Edições Anteriores
Log In

  • Home
  • Sobre o Site
  • Quem Somos
  • Edições Anteriores

HomeAnálisesA volta dos que não foram

A volta dos que não foram

  • 29 de abril de 2026
  • comments
  • Theillyson Lima
  • Posted in Análises
  • 0

Como o jornalismo combateu ou reforçou desinformação e fake news sobre a viagem à Lua. 

Raíssa Oliveira

“Mais uma mentira para a humanidade“. Esse foi um dos vários comentários deixados em uma postagem no Instagram da Folha de S. Paulo no dia 10 de abril, quando o jornal informou o pouso da Missão Artemis II no Pacífico, indicando a conclusão da primeira viagem tripulada para a Lua no século XXI. Outros usuários ainda questionaram ironizando se os astronautas já tinham saído do estúdio de gravação e criticaram o modo que as notícias foram divulgadas pelos portais de notícias ao longo desses 10 dias de missão. 

“A Globo noticiou nos últimos dias e de forma esfuziante a missão espacial de 10 dias dos Estragos Unidos como se fosse o feito do século e como se fosse o nosso país. Emissora ordinária fazendo marketing desse império decadente e que deve receber uma bolada mensal pra fazer esses marketings, pois todo dia esse jornalismo lambe-botas noticia pelo menos um fato positivo e cheio de maquiagem daquele país racista e fascista”, criticaram.

Nesse ponto, o critério de noticiabilidade é inegável, já que o homem ir para a Lua não é uma tarefa rotineira e foi a primeira vez que isso aconteceu em mais de 50 anos. Noticiar ou não esse fato não é algo que seja discutível no jornalismo profissional. O que dá para se questionar é o papel do jornalismo no combate ou reforço de desinformação e fake news, até porque se existem pessoas manifestando que essa missão é uma enganação, devem existir ruídos de comunicação em alguma parte do sistema que leva informações até elas.  

Reforçando a desinformação  

O jornalismo não é imparcial, mas os profissionais devem fazer tudo que estiver ao alcance para trazer variadas perspectivas sobre um mesmo assunto. Isso deveria ter sido planejado melhor pelo G1 ao trazer dados de pesquisa do Datafolha, por exemplo, já que os números foram apenas apresentados com um destaque para a porcentagem das pessoas que não acreditam que o homem foi para a Lua, especialmente no título, mesmo que essas pessoas sejam a menor parte da população. A notícia apenas apresenta dados sem abrir nenhuma discussão com opiniões de especialistas embasados na ciência sobre o tema em questão.   

Essa forma de apresentar o conteúdo dá margem para as pessoas questionarem o porquê tanta gente conspira contra a ideia da viagem à Lua, porque apesar de não disseminar fake news, não informa de maneira ampla e auxilia na desinformação. Não é só a mentira que é prejudicial no jornalismo, mas também a omissão de fatos. Na mesma lógica, por existirem pessoas que não acreditam na ciência, é necessário que os portais de notícias apresentem essa informação estatística, mas sem dar credibilidade para teorias conspiratórias ou deixar dúvidas para que as pessoas sejam influenciadas a acreditar por pura falta de informação.  

Rebatendo todas as fake news

O jornalismo é muito importante por vários aspectos, mas principalmente para apresentar todos os lados da história à população e deixar que as pessoas decidam por elas mesmas. Algumas matérias são exemplo disso, como o texto do Estadão intitulado como “Com Artemis II, teoria de que homem nunca pisou na Lua volta às redes; entenda por que isso é falso”. A matéria traz o assunto à tona, porém, apresenta opiniões de especialistas renomados e que têm lugar de fala, expondo abertamente as teorias e contrapondo todas.  

Além disso, o jornalismo também foi importante para combater a enxurrada de informações e imagens falsas geradas por inteligência artificial, uma problemática da atualidade. O portal de notícias Infomoney destaca que essa missão foi alvo de teorias da conspiração severas justamente por ser na era da IA, apresentando os fatos. A linha fina, um subtítulo que aparece na publicação, diz que “Da Apollo 11 à Artemis II, acusações de fraude reaparecem e já foram contestadas por evidências técnicas”. Não omitiu e contrapôs apenas com fatos. 

Uma outra imagem que circulou muito nas redes sociais foi a possível descoberta da Lua ser colorida, mas essa tese romantizada foi colocada em declínio pela Lupa, importante agência de verificação e checagem de notícias. Em uma publicação no seu Instagram, a agência confirma que a imagem está fora de contexto. A imagem não é falsa, mas a original foi publicada em agosto de 2025 pelo astrofotógrafo Ibatullin Ildar. Em um dos comentários da publicação ele explica que, durante o processamento da foto, aumentou intencionalmente a saturação da Lua para revelar a composição mineral de sua superfície. 

A agência também precisou desmentir um vídeo que mostra Lua e Terra vista da nave gerada por inteligência artificial. A empresa faz um ótimo trabalho, mas é compreensível as dúvidas no que acreditar em uma era que todo mundo pode gerar informação nas redes.   

Por que o jornalismo é importante nesse contexto

Para algumas pessoas, antes era difícil acreditar que o homem tinha pisado na lua pela falta de tecnologia e hoje tem sido difícil de acreditar pelo excesso dela. A inteligência artificial deturpou e descredibilizou algumas descobertas, assim como o jornalismo reforçou ou as combateu. Conteúdos manipulados ou sintéticos passaram a circular com maior facilidade, o que contribui para a disseminação de dúvidas sobre registros reais.

Além disso, o excesso de informação nas redes sociais leva pessoas que não tem conhecimentos básicos de astronomia a darem palpite em quem tem estudo. Mas tudo bem, isso acontece e sempre aconteceu, desde 1969, porém, agora as informações são facilmente disseminadas. Com mais visibilidade, mais mentiras, não dá pra confiar em tudo.    

Um assunto tão distante do entendimento da maioria das pessoas do planeta precisa muito do jornalismo, principalmente quando a inteligência artificial está em jogo e quando todos os indivíduos podem utilizar as redes sociais para informar ou desinformar. Caso contrário, as informações de quem não entende do satélite, mas vive no mundo da Lua, se disseminam.

Post Views: 27

Related Posts

comments
Análises

Um homem, um negro, uma mulher e um canadense

comments
Análises

O remake de volta à lua

comments
Análises

Por que (não) ir à lua agora?

O jornalismo que não se limita

  • 29 de abril de 2026
  • comments

Além do Splashdown

  • 29 de abril de 2026
  • comments

Share this

0
SHARES
ShareTweet

About author

Theillyson Lima

Related Posts

comments
Análises

Um homem, um negro, uma mulher e um canadense

comments
Análises

O remake de volta à lua

comments
Análises

Por que (não) ir à lua agora?

comments
Análises

Além do Splashdown

Tags

  • #desinformação
  • #edição240
  • #fakenews
  • #missãoartemis2
  • #teoriasconspiratórias
  • #viagemàlua
  • cobertura
  • mídia

Comments

Copyright © 2019 Unasp Engenheiro Coelho