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Últimas noticias de Paraguay y el Brasil

  • 20 de maio de 2026
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O jornalismo dos vizinhos paraguaios e como eles se referem aos brasileiros na mídia. 

Raíssa Oliveira

“Os melhores jornais são Última Hora, ABC Color e La Nación”. Esse é um comentário que foi deixado por um morador da capital paraguaia na Quora, plataforma online de perguntas e respostas. Essa afirmação auxilia para o objetivo desta análise, que é entender o jornalismo do Paraguai, porque nada melhor do que conhecer o país através das opiniões da nação que reside nele. Entretanto, para obter opiniões gerais é necessário recorrer aos rankings dos sites mais visitados no país e embasar essa prerrogativa com números.   

Na lista de jornais mais acessados do Paraguai, divulgada pelo Jornais.PrensaMundo.com, o Última Hora aparece em primeiro lugar, seguido do ABC Color, dois jornais de Assunção.  O outro jornal citado pelo morador aparece em quinto lugar no ranking, La Nación. Além de serem os jornais paraguaios mais visitados, o Memorial do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL) selecionou e divulgou os nomes dos principais jornais dos países latinos e divulgou os quatro mais relevantes do Paraguai, em que esses três foram listados. 

Tudo bem, já dá para entender quais os mais populares, mas tem outro dado que também chama muita atenção. O Semrush divulgou uma lista com os portais de notícias mais acessados no Paraguai, independente do jornal ser paraguaio ou não. O Última Hora permanece em primeiro lugar, mas além dele, apenas mais um jornal paraguaio está entre os 10 mais visitados no Paraguai. Dois são jornais argentinos e outros dois são jornais brasileiros neste ranking, além dos internacionais e estadunidenses, como a CNN e a BBC.

Com esses dados, dá para se perguntar o que essas estatísticas dizem sobre o jornalismo do Paraguai. Talvez comprove a continuidade do comentário indicado no início deste texto: “No entanto, não os considere como tal. Todos esses jornais são como uma propriedade de milionários em que promovem abertamente as suas agendas. Além disso, jornal La Nación pertence à irmã do presidente paraguaio, sendo, portanto, mais como porta-voz do governo. Apesar disso, é sim possível encontrar boas reportagens nestes jornais de vez em quando”.

Os jornais paraguaios

O jornal Última Hora, que predomina o topo de rankings, foi inaugurado em 1973 e também detém boa parte do dinheiro do país por meio do seu proprietário. A controladora Editorial El País foi adquirida por Antonio Juan Vierci, empresário e CEO paraguaio que é o proprietário de diversos meios de comunicação do país e franquias alimentícias, sendo considerado um dos empresários mais ricos do Paraguai. E o dinheiro e poder de portais de comunicação do país vai além, confirmando bem o comentário sobre milionários promovendo suas agendas.

O jornal La Nación foi inaugurado em 1995 na cidade de Fernando de La Mora, em que está localizada atualmente a sua sede. O fato curioso e que reflete o poderio do jornal é quando se observa o fundador Osvaldo Domínguez Dibb. Você pode até não conhecer esse nome, mas se é apaixonado pelo jornalismo esportivo com certeza conhece o seu filho Alejandro Domínguez, o atual presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, a CONMEBOL. 

Alejandro liderou o conglomerado Grupo Nación de Comunicaciones por 15 anos, contexto em que o jornal está inserido. E claro que não por coincidência, Alejandro era gerente geral do jornal quando recebeu um prêmio de artigo mais racista do ano de 2007, texto em que se descreve os indígenas paraguaios como neolíticos, ultrapassados e imundos. E não para aí. Mais poderoso que Alejandro Domínguez no contexto que está inserido atualmente, talvez só o presidente paraguaio e adivinha: ele também detém os meios de comunicação no país. 

Em 2015, o jornal e os outros meios de comunicação do conglomerado foram obtidos pelo Grupo Cartes, um grupo empresarial pertencente ao ex-presidente Horacio Cartes, em que a sua irmã Sarah Cartes foi nomeada diretora do jornal. Dos três jornais citados no início do texto, faltou só indicar a procedência do ABC Color, que também faz parte do Grupo Cartes.

Dentre esses fatores, o que predomina na análise nem é a baixa qualidade de apresentação das notícias ou até mesmo os assuntos que são expostos, mas com certeza se destaca que os principais jornais do país são propriedade de pessoas milionárias com vários interesses políticos atrelados às suas imagens e seus trabalhos, que consequentemente estão ligados com a comunicação. Em outros países isso também acontece, mas de forma mais discreta. Na maneira como é feita no Paraguai, a nação obtém muito mais receio e acaba acessando os jornais locais só para notícias locais e consultam outras fontes para saberem do mundo.          

O Brasil movimenta o comércio e também os noticiários

Os jornais destacam muito a relação com o Brasil nas suas notícias, principalmente quando se trata de comércio. Historicamente esses dois países têm relações complicadas, sendo a Guerra do Paraguai o estopim para esses conflitos, pois é considerada o maior conflito armado da América do Sul, na década de 1860. A partir daí muitas questões se ajustaram e jornais paraguaios falam muito do Brasil, seja em situações ligadas a Usina Hidrelétrica de Itaipu e Cataratas do Iguaçu, patrimônios que interessam os dois países comercialmente, ou ligadas à fuga e apreensão ou narcotráfico dos brasileiros para o Paraguai ou também vice e versa.  

Além dessa relação fronteiriça e comercial, os paraguaios também trazem pautas do Brasil pela relevância do país na América do Sul, como a notícia da convocação de Neymar pela Seleção Brasileira para a Copa do Mundo e quinze minutos depois uma outra matéria sobre a convocação de Vinícius Júnior e Raphinha. A pauta de que o Brasil utilizará combustíveis verdes pela primeira vez para transportar fertilizante orgânico também não está diretamente relacionada ao Paraguai, mas pela proximidade e pela importância do Brasil no continente, acaba sendo um tema relevante, talvez também pela quantidade de brasileiros que residem no país, com mais de 263 mil pessoas e é a terceira maior comunidade brasileira do mundo. 

Mas o interesse brasileiro em residir ou movimentar o comércio no Paraguai diz muito sobre o histórico sangrento entre as duas nações, já que depois da guerra o país paraguaio ficou muito devastado e pobre, sendo associado muitas vezes a termos pejorativos e sendo uma ótima alternativa para empreendedores do Brasil pelo baixo custo de vida e pelo comércio. Quando se pesquisa sobre sinônimos do Paraguai no navegador de busca, a visão criada por IA diz que, na linguagem informal brasileira, o substantivo normalmente é usado como sinônimo para falsificado, pirata, mentira, bugiganga, Shopee, cópia, réplica e contrabando.

A qualidade do jornalismo 

Nesse contexto entre Brasil e Paraguai, infelizmente é natural que os brasileiros olhem para contribuições paraguaias com maus olhos por conta da associação pejorativa construída ao longo dos anos. Entretanto, essa análise tem o objetivo de retrair essa visão xenofóbica do país vizinho que os brasileiros depositam seus preconceitos. O jornalismo do Paraguai não tem a mesma qualidade do Brasil porque é um país menor e com menos recursos, sendo as pessoas que têm recursos dominando o poderio da comunicação. Mas não é só porque é o Paraguai, mas sim porque é um território de terceiro mundo, como tantos latino-americanos.    

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