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A intensidade argentina para além das quatro linhas do campo de futebol

  • 20 de maio de 2026
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  • Theillyson Lima
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O jornalismo argentino e suas abordagens. 

Príscilla Melo

Nasci na Argentina

Terra de Diego e Lionel

Dos caras de Malvinas que nunca vou esquecer

  • Muchachos, Ahora Nos Volvimos a Ilusionar, La Mosca Tsé-Tsé

Quando se pensa em Brasil e Argentina, a primeira coisa que vem à mente é a rivalidade no futebol, já que os dois países sul-americanos são mundialmente reconhecidos por seu desempenho no esporte. Na Copa do Mundo, os países detém juntos oito vitórias, enquanto o Brasil levantou o troféu cinco vezes, a Argentina acumula três taças, sendo a última conquistada por Lionel Messi em 2022. Ainda dentro do futebol, a Argentina se consolidou como a maior campeã da história da Copa América, assumindo o topo do ranking com 16 títulos, o Brasil segue logo atrás ocupando a terceira posição com nove vitórias. Já na Libertadores os países vizinhos dividem o mesmo pódio com 25 títulos cada. Para além das quatro linhas do campo, a rivalidade entre Brasil e Argentina tem raízes que ecoam do processo de colonização da América do Sul, envolvendo questões políticas e econômicas.

A disputa territorial entre Portugal e Espanha, colonizadores do Brasil e da Argentina, criou uma herança de desconfiança que os dois países mantiveram mesmo após se tornarem independentes. O momento de maior tensão militar entre eles foi a Guerra da Cisplatina (1825-1828), na qual as duas nações lutaram pelo controle do território que hoje é o Uruguai. Com o passar do tempo, essa dinâmica de comparação frequente criou o ambiente perfeito para que, com a diplomacia moderna, a antiga rixa militar fosse direcionada de forma simbólica para o esporte, atuando como uma válvula de escape e transformando questões geopolíticas em debates sobre quem seria o maior ídolo da história, Pelé ou Maradona. 

O jornalismo na Argentina

No ecossistema jornalístico da Argentina, a rádio representa o coração do debate político diário, enquanto a televisão é caracterizada pelo espetáculo do confronto por meio de seus dinâmicos programas de debate. O jornal impresso mantém seu prestígio como um importante nicho intelectual e legitimador da notícia, ao mesmo tempo em que a internet se consolidou como o principal campo de batalha das narrativas, intensificando a polarização no ambiente digital. 

O jornalismo argentino se destaca como um dos mais vibrantes, combativos e politizados da América Latina, caracterizado por debates intensos e posicionamentos editoriais marcantes. O fenômeno localmente conhecido como “La Grieta” se trata de um sistema midiático de tradição investigativa e de opinião, no qual os veículos de comunicação atuam não apenas como relatores dos fatos, mas como atores políticos centrais na formação da opinião pública e no contra ao governo.

Nesse cenário de forte polarização, três veículos exemplificam as diferentes visões e estilos que moldam o debate nacional. Enquanto o Clarín se consolidou como o gigante de maior circulação do país, utilizando uma linguagem direta voltada à classe média para pautar o cotidiano e a política, o tradicional La Nación atua como a voz do pensamento liberal-conservador, priorizando o rigor institucional e análises econômicas profundas. A cobertura regional do internacional El País introduz um olhar analítico focado em direitos humanos e impacto social, completando um mosaico de perspectivas essencial para compreender a complexa realidade argentina.

La Nación

Fundado em 1870 por Bartolomé Mitre, o La Nación se consolidou como um dos pilares da imprensa argentina, sendo reconhecido por sua trajetória centenária e sua forte influência nos setores políticos e econômicos do país. Com uma linha editorial tradicionalmente associada ao liberalismo e ao conservadorismo, o portal de notícias atua como um porta voz das instituições e das elites intelectuais, mantendo um perfil sólido que prioriza a análise profunda e o rigor institucional. Diferente das publicações de estilo popular, o jornal é reconhecido pela excelência em temas como cultura, política e economia, além de ser referência internacional no uso de tecnologia para investigar dados públicos. 

Além do site e do papel impresso, com o canal de TV LN +, o grupo se tornou uma das maiores audiências da televisão a cabo, focando em debates sobre gestão pública, agronegócio e justiça, com um tom mais crítico e analítico. No cenário digital, o La Nación é uma referência de sucesso em modelos de assinatura, equilibrando a tradição de suas colunas de opinião com o dinamismo das novas mídias. O jornal registrou um crescimento expressivo em seu número de leitores pagos nos últimos anos. De acordo com os dados mais recentes do Digital News Report 2025 do Reuters Institute, o La Nación alcançou 750.000 assinantes digitais. Esse número coloca o veículo em uma posição de destaque no mercado latino-americano, consolidando sua estratégia de conteúdo fechado para assinantes. 

Atualmente, a relação entre o jornal e a Casa Rosada é marcada por um monitoramento rigoroso. O La Nación investiga de perto tanto os sucessos da gestão econômica quanto as falhas na articulação política e o impacto social das medidas de ajuste. Essa dualidade define o jornal como uma voz que, embora deseje o sucesso das reformas liberais, não se abstém de denunciar excessos que possam comprometer a democracia e o trabalho jornalístico no país. 

O La Nación dedica uma cobertura constante e detalhada ao Brasil, tratando o país vizinho como uma peça fundamental para o futuro político e econômico da Argentina. Por ser um veículo voltado às elites financeiras e intelectuais, enxergando o Brasil não apenas como um parceiro geográfico, mas como o verdadeiro motor econômico da América do Sul. No campo da economia, o jornal acompanha diariamente indicadores como o crescimento do PIB brasileiro, a cotação do real e as decisões do Banco Central, em Brasília. Existe uma postura editorial de profundo respeito pela estabilidade de longo prazo e pela força industrial do mercado brasileiro. Frequentemente, esses dados são utilizados nas reportagens como um contraponto analítico ou um exemplo de solidez diante das recorrentes crises financeiras que a Argentina enfrenta.

A cobertura política foca nas relações diplomáticas e nas diferenças ideológicas entre os líderes das duas nações. Atualmente, o jornal detalha o distanciamento estratégico entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei, apontando como a falta de sintonia pessoal e as agendas externas opostas afetam diretamente o funcionamento do Mercosul e as negociações de blocos econômicos, como o acordo com a União Europeia. Fora das páginas de economia e poder, o Brasil é o grande protagonista nos cadernos de turismo, cultura e estilo de vida do jornal. O veículo mapeia detalhadamente o fluxo de viajantes argentinos rumo ao litoral brasileiro, analisando o impacto do câmbio nas férias dos “hermanos”. Há um tom de grande proximidade e afeto cultural quando o jornal aborda as praias, a música e o estilo de vida do povo brasileiro.

Clarín

O Clarín é o jornal de maior circulação da Argentina e o principal navio-almirante do Grupo Clarín, o maior conglomerado de mídia do país. Fundado em 28 de agosto de 1945 por Roberto Noble, o jornal moldou uma trajetória marcada pela transição de um formato de leitura rápida e popular para se tornar um dos atores políticos e econômicos mais poderosos da história argentina contemporânea. Diferente do estilo sóbrio do La Nación, o Clarín consolidou-se historicamente utilizando um formato de tabloide e uma linguagem direta, voltada para o consumo em massa e a classe média. Suas páginas dedicam um espaço substancial à cobertura do cotidiano, esportes (especialmente o futebol) e espetáculos, sem abrir mão de uma cobertura política e econômica incisiva e de forte impacto na agenda pública nacional.

No âmbito digital, o clarin.com lidera o mercado de assinaturas na Argentina, registrando uma base que ultrapassa os 700.000 assinantes digitais. Essa robusta presença digital é complementada por uma forte influência audiovisual através da Rádio Mitre e de canais do grupo, como o TN (Todo Noticias), mantendo o jornal como a plataforma de notícias mais lida e consultada do país. 

Em relação à política nacional e ao presidente Javier Milei, o posicionamento do Clarín é de independência crítica, caracterizado por uma forte ambivalência. Ao mesmo tempo em que ressalta as conquistas macroeconômicas da gestão libertária, como o controle inflacionário e a busca pelo superávit, o jornal expõe com rigor as crises internas do gabinete, o impacto social das medidas e a irritabilidade do presidente às contestações públicas. Essa postura investigativa mantém viva a histórica tensão do veículo com o Poder Executivo, independentemente do alinhamento ideológico do governo de turno.

No tratamento dado ao Brasil, o jornal adota uma perspectiva focada no pragmatismo econômico e nas crônicas culturais. As páginas de economia monitoram constantemente as decisões industriais brasileiras e o fluxo do Mercosul, enquanto os cadernos de variedades e turismo retratam o país vizinho com grande proximidade e afeto, mapeando as tendências de viagem e o intercâmbio cultural que definem a relação diária entre os dois povos.

El País

O El País América consolidou-se como uma das principais referências de jornalismo internacional em espanhol, apresentando um perfil editorial de centro-esquerda e progressista. Diferente dos jornais Clarín e La Nación, que estão imersos nas disputas políticas diárias da Argentina, o veículo adota o tom de um observador externo. Sua cobertura prioriza uma perspectiva analítica voltada aos direitos humanos, impacto social de medidas econômicas e tendências políticas globais. No ambiente digital, o jornal adota um modelo global de assinaturas pagas integradas, superando a marca de 350.000 assinantes digitais em toda a sua rede. Embora o foco de circulação impressa permaneça na Espanha, o portal digital tornou-se um dos mais lidos da região. O jornal atrai um público composto por acadêmicos, diplomatas e leitores que buscam análises profundas e reportagens de fôlego sobre os rumos da América Latina.

Em relação à política argentina e ao presidente Javier Milei, o posicionamento do El País é de forte oposição editorial. Suas reportagens e colunas de opinião abordam o governo sob uma ótica severa, frequentemente classificando a gestão libertária como um experimento de extrema-direita. O jornal dedica grande parte de seu espaço para investigar o impacto social econômico, os protestos de sindicatos e o descontentamento das classes vulneráveis, além de manter um monitoramento constante sobre as tensões entre Milei e as instituições democráticas.

O tratamento dado ao Brasil nas páginas do jornal reflete uma visão estratégica de liderança regional. Sob a ótica do El País, o Brasil é retratado como o principal contraponto político e diplomático à Argentina atual. A cobertura costuma destacar as iniciativas internacionais e a estabilidade institucional brasileira, enfatizando o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um articulador pragmático no continente, enquanto examina as óbvias fricções e o distanciamento ideológico que travam o desenvolvimento do Mercosul.

A intensidade argentina não se limita ao campo

No país de Maradona e Messi, as redações, os estúdios de TV e as ondas de rádio operam na mesma harmonia das arquibancadas, com uma paixão visceral, táticas afiadas para driblar as crises econômicas e uma torcida fiel que escolhe seu veículo de informação com o mesmo fanatismo com que defende seu time do coração. No fim das contas, a imprensa argentina prova que o compromisso com a informação é tal qual o futebol, um jogo de noventa minutos intensos no qual a neutralidade é um cartão vermelho e a emoção dita o ritmo da próxima jogada. 

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