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Por que (não) ir à lua agora?

  • 29 de abril de 2026
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  • Theillyson Lima
  • Posted in Análises
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Entre política, economia e disputas, um futuro do humano voltar à lua deixa de ser um sonho.

Príscilla Melo

Me leve para a lua

Me deixe brincar entre as estrelas 

Me deixe ver como é a primavera 

Em Júpiter e Marte

  • Fly Me To The Moon, Frank Sinatra

A canção composta em 1954 por Bart Howard e gravada por Frank Sinatra em 1964, usa da analogia ao comparar o ato de explorar as maravilhas do espaço sideral com o desejo de viver um amor intenso. Para além de uma figura de linguagem, ‘‘Fly Me To The Moon’’ fez parte da playlist da missão Apollo 11 da NASA em 1969, quando os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin, realizaram o primeiro pouso na lua. A canção posteriormente acabou se tornando um símbolo da corrida espacial e em 2026, também foi ouvida durante a viagem da tripulação da cápsula Órion da missão Artemis II. 

O desejo de ser um astronauta nunca me consumiu quando criança, mas hoje, após acompanhar toda a cobertura midiática da missão que levou o homem à órbita da lua, sinto que gostaria de ser um daqueles astronautas e explorar o espaço. Em meio ao clima de expectativa quando a espaçonave tripulada foi lançada ao espaço, e a euforia quando ela pousou no Oceano Pacífico, deixou uma pergunta no ar: ‘‘Por que voltamos para a lua só agora?’’. Esse questionamento é plausível quando nos deparamos com a realidade de um hiato de 57 anos entre a missão Apollo 11, que levou o homem à superfície lunar, e a missão Artemis II, que levou os astronautas à órbita da lua, chegando ao seu lado escuro nunca antes visto.

Nesse contexto, muitos portais noticiosos tentaram dar uma resposta à essa pergunta ao público. E são sobre essas respostas que iremos discutir a seguir, então coloque o cinto, pois nossa viagem rumo a lua começa agora.

Nova guerra fria?

O portal noticioso O GLOBO, fez uma cobertura intensa, dedicando inúmeras manchetes a esclarecimentos relacionados à missão Artemis II. As matérias envolveram desde a explicação do por que o nome Artemis, curiosidades como quanto ganha um astronauta da NASA, aclaramento sobre se a Nutella flutuando foi marketing, perspectivas de quando iremos voltar à lua e muitos outros tópicos. Em um texto focado em explicar por que fazer essa jornada agora, o O GLOBO apontou que a motivação da missão Artemis não é tão óbvia quanto foi a Apollo, devido a isso, o portal de notícias deu como resposta, diversas possibilidades distintas. Entre elas, elementos políticos, como a necessidade americana de superar a China, sua principal rival; elementos sustentáveis, como estabelecer futuras explorações através da construção de uma base lunar ou como uma oportunidade para demonstrar o potencial tecnológico americano.

Entre esses assuntos apontados, os fatores políticos ganharam maior destaque nos textos do jornal. O O GLOBO, ressaltou o papel desempenhado pelo Presidente Donald Trump, em 2017, quando assinou uma ordem executiva para levar humanos de volta à lua, como um impulso político primordial para que o projeto Artemis persistisse. Entretanto, o jornal deixou claro que por mais que a missão tenha se iniciado durante o primeiro mandato de Trump, os principais meios para o desenvolvimento do programa estavam sendo produzidos décadas antes, tirando assim, o ‘‘crédito’’ do atual presidente. Além disso, também foi idealizada a presença da China em viagens rumo à lua até o fim desta década. Teorizando desta forma, uma próxima guerra fria entre os países.

Falta de investimento?

Além do O GLOBO, a CNN também tentou explicar o porquê só ir a lua agora, e enfatizou a ação de responder essa pergunta ao produzir vários textos sobre a viagem ao espaço, alguns inclusive, com títulos muito semelhantes (‘‘Por que o homem não voltou à lua após mais de 50 anos das missões Apollo?’’, ‘‘Por que os humanos não voltaram à Lua em mais de 50 anos?’’, ‘‘Por que o homem não retornou à Lua após mais de 50 anos?’’). Em seus parágrafos de matérias, a CNN citou como principal razão do hiato de 50 anos, fatores econômicos. 

O portal de notícias mencionou a diferença em gastos federais anuais consumidos pela NASA, que em 1960 obtinha a verba governamental de 4%, e nos últimos anos passou a ter acesso a somente cerca de 0,5%. Essa redução foi causada por cortes orçamentários do Congresso americano, que após vencer a corrida espacial passou a direcionar os milhões de dólares anteriormente investidos na ida à lua, para a execução de novas prioridades, como o financiamento de guerras. 

Apesar de a CNN falar sobre o tema, seus textos sobre o assunto são vagos, o conteúdo é mais uma transcrição direta de falas de chefes da NASA, alguns textos chegam até a ser quase idênticos em conteúdo, alternando apenas a ordem de parágrafos e algumas palavras. Isso mostra que o portal de notícias se preocupou mais em ‘‘entrar na onda’’ do assunto do momento, em vez de realmente explicar ao leitor o que estava acontecendo e porque estava acontecendo.

Tudo não passa de uma grande competição?

A Folha de São Paulo respondeu a questão destacando a infraestrutura. A tecnologia espacial crescente nos dias atuais, com o trabalho da SpaceX e da Blue Origin, diminuiu o custo de uma viagem como esta. Segundo a Folha, o interesse em Marte fez o homem voltar à lua, visando completamente a exploração comercial e a infraestrutura. Em resumo, o portal de notícias destacou que a volta à lua demorou cerca de 50 anos, pois os Estados Unidos não tinham que vencer nenhum rival nesse caminho, cenário que a potência espacial chinesa está ameaçando. Além disso, estar na lua agora é estar um passo mais perto de Marte. A Folha não gastou tantos textos sobre o assunto, mas soube explorá-lo quando o abordou.

Por que não agora?

Acredito que a pergunta certa não seja, ‘‘por que voltar à lua só agora?’’ e sim, ‘‘por que não voltar à lua agora?’’. Portais noticiosos abordaram, ou tentaram abordar, subtemas dentre os muitos que juntos somam inúmeros fatores que tornaram essa viagem uma realidade possível. O retorno à lua se tornou uma resposta lógica a um cenário no qual o satélite deixou de ser um sonho distante para se tornar a infraestrutura essencial do próximo século. Não retornar agora seria ignorar que a lua deixou de ser o destino final para se tornar o ponto de partida de uma nova era. E é sobre essa esperança e novas possibilidades de futuro que gostaria de ler nos portais de notícias.

Sendo assim, confesso que entre Bruno Mars que prefere conversar com a lua (Talking To The Moon), eu fico com Frank Sinatra e peço que me leve até ela, ou melhor, para além dela, quero ver como é a primavera em Júpiter e Marte.

E acho que vai demorar muito, muito tempo

Até que a aterrissagem me traga de volta para descobrirem

Que não sou o homem que acham que eu sou em casa

Oh, não, não, não, sou um astronauta

Um astronauta perdendo a calma aqui em cima, sozinho

  • Rocket Man (I Think It’s Going To Be a Long, Long Time), Elton John.

 

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