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O racismo que o futebol finge não ver

  • 18 de março de 2026
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  • Theillyson Lima
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Os ataques a Vinicius revelam um problema que o futebol europeu ainda não consegue enfrentar.

Caio Leite Ferreira

O futebol gosta de se vender como um espaço de diversidade e inclusão. Campanhas institucionais, faixas nos estádios e discursos oficiais repetem há anos que o racismo não tem lugar no esporte. Na prática, porém, os episódios continuam acontecendo com frequência preocupante.

Nos estádios europeus, manifestações racistas ainda aparecem em forma de cânticos, gestos imitando macacos e insultos direcionados principalmente a jogadores negros. Em muitos casos, as punições são limitadas a multas ou advertências, medidas consideradas insuficientes por especialistas e organizações que monitoram discriminação no esporte.

Segundo relatório da organização Kick It Out, que acompanha casos de racismo no futebol, denúncias de discriminação racial continuam sendo uma das categorias mais frequentes no esporte europeu. Esse cenário mostra que o problema não é pontual. O racismo permanece como um fenômeno estrutural dentro do futebol, muitas vezes tratado como exceção apenas quando ganha repercussão internacional.

Episódios semelhantes já haviam exposto essa realidade antes mesmo do caso de Vinícius Júnior ganhar repercussão global. Em 2014, durante uma partida do Campeonato Espanhol, o brasileiro Daniel Alves reagiu de forma inusitada ao ter uma banana arremessada por um torcedor, a atitude do atleta chamou a atenção: pegou a fruta do chão e a comeu antes de cobrar o escanteio. A cena virou símbolo de protesto contra o racismo, mas também evidenciou como o problema já era recorrente no futebol europeu.

Outro caso que ganhou repercussão internacional envolveu o atacante italiano Mario Balotelli, alvo frequente de insultos racistas em diferentes estádios ao longo da carreira. Em diversas ocasiões, partidas precisaram ser interrompidas ou geraram investigações disciplinares, reforçando a percepção de que o racismo permanece presente mesmo nas ligas mais tradicionais do continente.

Vinícius Júnior e a exposição de um problema ignorado

Dentro desse contexto, Vinicius Júnior se tornou um dos principais símbolos da luta contra o racismo no futebol mundial. Desde que chegou ao Real Madrid, o atacante brasileiro tem sido alvo recorrente de insultos racistas em diferentes estádios da Espanha.

Levantamentos indicam que o jogador já foi alvo de manifestações racistas em diversos jogos da liga espanhola nos últimos anos. Em alguns episódios, torcedores foram flagrados imitando macacos ou entoando cânticos ofensivos durante as partidas. Mesmo diante da repetição dos casos, as respostas institucionais demoraram a aparecer. Durante muito tempo, a liga espanhola limitou-se a registrar denúncias formais, enquanto punições mais severas raramente eram aplicadas.

A repercussão internacional dos episódios envolvendo Vinicius acabou pressionando autoridades esportivas e políticas. A própria La Liga passou a reconhecer que o problema vinha sendo tratado com pouca eficácia. Mesmo com o reconhecimento, pouca coisa mudou desde então. Vini segue sendo alvo e alvo direto nos principais estádios da Espanha. 

Recentemente, outro episódio envolvendo o atacante e o argentino Gianluca Prestianni reacendeu debates sobre racismo e comportamento dentro do futebol europeu. O caso gerou polêmica e interpretações divergentes, mostrando como o tema ainda é tratado de forma confusa dentro do ambiente esportivo.

Mais do que casos isolados, esses episódios reforçam a percepção de que o futebol ainda tem dificuldade em lidar com manifestações racistas de forma direta e consistente.

Quando a mídia desvia o foco do problema

Se as instituições do futebol demoram a reagir, parte da cobertura midiática também contribui para distorcer o debate. Em vez de concentrar a discussão no racismo, alguns comentários e análises acabam deslocando o foco para o comportamento da própria vítima.

Em diferentes momentos, Vinícius Júnior foi criticado por comemorar gols, responder provocações ou discutir com adversários. Esse tipo de abordagem cria uma narrativa perigosa: a ideia de que o jogador teria algum grau de responsabilidade pelos ataques que sofre, sejam eles racistas ou não.

Ao tratar o racismo como consequência de “excessos emocionais”, parte da mídia acaba relativizando a gravidade do problema. O resultado é um debate público que frequentemente ignora o fator central da questão, que é a existência de manifestações racistas dentro do futebol.

Nos últimos anos, alguns avanços começaram a surgir. A Justiça espanhola já reconheceu insultos racistas em partidas como crimes de ódio, estabelecendo precedentes importantes para punições mais severas. Mesmo assim, especialistas apontam que mudanças estruturais ainda são necessárias para que o combate ao racismo deixe de ser apenas uma resposta a escândalos.

No caso mais recente, Prestianni foi relativizado por inúmeros jornalistas, que mesmo sem saber o que foi dito pelo jogador do Benfica, duvidaram mais uma vez de Vinicius Junior. Uma espécie de perseguição fica evidente a cada episódio, quando se trata do brasileiro, sempre existe um motivo para uma fala racista.

Esse tipo de abordagem não se limita ao futebol europeu. No Brasil, a cobertura de episódios de racismo no futebol também costuma gerar debates semelhantes. Em diferentes ocasiões, casos envolvendo jogadores brasileiros acabam sendo discutidos não apenas a partir do ato racista em si, mas também da reação do atleta dentro de campo ou nas redes sociais. O resultado é um debate que, muitas vezes, divide a opinião pública e desloca a atenção do problema central.

Um debate que o futebol não pode mais adiar

O caso de Vinícius Júnior revelou algo que o futebol preferiu ignorar durante décadas: o racismo continua presente no esporte, mesmo em ligas que se apresentam como exemplos de modernidade e inclusão.

Mais do que campanhas publicitárias ou discursos institucionais, o enfrentamento do problema exige medidas concretas. Isso inclui punições mais severas, identificação de torcedores responsáveis e uma mudança na forma como a mídia e as instituições tratam um tema tão importante.

Enquanto o racismo continua sendo tratado como um incidente isolado e não como um problema estrutural, episódios como os que atingem Vinicius Júnior e outros jogadores seguirão acontecendo. E, nesse cenário, o futebol continuará devendo uma resposta àqueles que fazem do esporte não só um espaço de talento, mas também de resistência.

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