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Super Bowl: o show do intervalo que ficou maior que o jogo

  • 10 de setembro de 2026
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Como o evento teve seu início com show universitário, virou um evento milionário de marcas.

Pedro Ravanhani

Na 60° edição do Super Bowl tivemos a apresentação mais assistida da história do evento. A performance do cantor porto-riquenho Bad Bunny registrou um recorde global de audiência, com 4,157 bilhões de visualizações no mundo todo nas primeiras 24 horas, considerando transmissões globais além do YouTube e outras plataformas digitais. Os números de espectadores nas televisões foram de 128,2 milhões, um valor abaixo do que a versão anterior do evento.

O contexto político envolvendo imigrantes e os casos relacionados ao ICE nos Estados Unidos podem ter influenciado os grandes números. Mas eles mostram algo fora do âmbito da política, que o evento do Super Bowl se tornou algo que, em certos momentos, se torna mais atrativo que o jogo de futebol americano.

O surgimento do evento

A criação do Super Bowl se originou em 1966, com a fusão da NFL(National Football League) e a AFL (American Football League), tornando-se apenas uma liga de futebol americano. O primeiro show foi realizado em 15 de janeiro de 1967, foi realizado pelas bandas da universidade do Arizona e Grambling State University e teve o custo comercial de 30s por 42 mil dólares.

O fator comercial é algo que deve se destacar, pois com os valores corrigidos para os dias atuais o valor de uma inserção comercial no evento seria de 419.896 mil dólares, números estes que seriam apenas uma parcela, visto que o valor do custo comercial do último super bowl foi de 10 milhões de dólares, um aumento de mais de 9 milhões de dólares.

Outro ponto que pode ser citado é como o evento teve mudanças na escolha dos artistas principais que se apresentaram. Até 1990, sempre havia alguma banda marcial universitárias no evento e raramente tinha algum outro artista envolvido no show. Isso mudou em 1991 quando a boy band News Kids on the Block tocou no intervalo do jogo entre Buffalo Bills e New York Giants.

O mainstream chega na NFL

Em 1993, o evento teve o seu primeiro momento de aclamação com o show de Michael Jackson no estádio Rose Bowl em Pasadena, Califórnia. Com grande aprovação do público e crítica e um bom retorno comercial, as equipes de organização começaram a buscar atrair artistas que estavam em evidência para tocar no intervalo do jogo.

Durante os anos seguintes, vários artistas de escala mundial começaram a se apresentar e ter uma grande repercussão, em 2004 ocorreu o caso mais polêmico do evento quando Janet Jackson e Justin Timberlake se apresentaram e durante o show, Timberlake puxou a o figurino de Janet e a deixou nua por alguns segundos, isso fez com que os organizadores deixassem o gênero do pop de lado e buscassem outro estilo musical que estivesse mais em alta, que no período de 2005 até 2010 era o rock, trazendo nomes como Paul McCartney e The Rolling Stones.

Isso já mostrava como a parte empresarial começava a falar mais alto e mostrava que aqueles quinze minutos de intervalo, começavam a atrair um grande números de espectadores que em muitos casos, não tinha o entendimento do esporte que iria retornar após o show.

No início dos anos 2010, o pop voltou a ser o principal gênero musical do mundo, fazendo com que os organizadores do evento procurassem trazer artistas pops para os shows, como em 2015 quando a cantora Katy Perry fez a sua apresentação para 120,7 milhões de pessoas ao vivo, sendo naquele momento um recorde de audiência do evento.

Os últimos 2 shows apostaram em artistas que estavam em evidência naquele ano. Kendrick Lamar foi o cantor escolhido para o Super Bowl LIX logo após os conflitos com o também rapper Drake. A diss lançada por Kendrick, “Not Like Us”, atacando o rapper canandense tinha acabado de se tornar a música mais premiada pelo Grammy e está em altas nos aplicativos de música e foi o ponto alto do show. Na última edição do Super Bowl, ocorrida no dia 8 de fevereiro de 2026, o rapper porto-riquenho Bad Bunny foi chamado para ser o principal cantor do show meses após ser premiado com o álbum do ano pelo trabalho em “Debí Tirar Más Fotos”, álbum que levantou diversos debates sobre as questões dos latinos americanos no mundo.

Essas duas escolhas, feitas pela NFL e pela a empresa Roc Nation, do rapper Jay-Z, mostram que o halftime fez uma transição de apenas um show de intervalo com banda universitária para um evento a parte que tem como sua principal motivação, obter grande número de visualização e espectadores ao vivo.

Como a mídia trata o espetáculo

A transmissão da NFL historicamente no Brasil sempre foi mantida pela ESPN, que sempre produziu conteúdos relacionados ao tema e com grandes nomes para falar do assunto, como Paulo Antunes e Antony Curti. Atualmente, junto com a ESPN, a Globo também comprou os direitos de transmissões de 80 jogos tanto nos canais Sportv e no canal do youtube GE TV. 

O aumento das emissoras que transmitem a NFL mostra que o público está se interessando pelo esporte e em sua consequência, começam a assistir o intervalo. O público que acompanha o futebol americano no Brasil é alto, em 2024 foi realizada uma pesquisa realizada pelo Ibope Repucom, a Sponsorlink, onde foi apontado que os fãs do esporte representam 35% da população brasileira (41 milhões). O número representa crescimento de 310% no volume de indivíduos em comparação a 2014 (10 milhões).

Os números são altos e mostram um grande aumento no público no território nacional.Isso consequentimente aumenta o número de espectadores do show do intervalo e fazendo com que o evento fique cada vez mais reconhecido e famoso em território que não estão acostumados com o esporte.

O show ficou maior que o jogo?

Os números elevados de espectadores no show de Bad Bunny no Super Bowl deste ano demonstram um fator presente na cultura americana de criação de eventos, transformar um evento que em seu início era pequeno em um mega evento que gera milhões em lucro e desperta o interesse de várias pessoas.

A mídia também tem seu papel nessa influência, pois sua divulgação mais focada em mostrar o show e o artista que vai se apresentar, faz com que os espectadores procurem jeitos para assistir o evento e acompanhar até o momento do intervalo.

Em certo ponto, o show está se tornando maior que o próprio jogo, o público que acompanha as tendências musicais em alta fica em redes sociais puxando hashtag para que o artista seja á atração principal do Super Bowl. Um exemplo recente, a escolha do Bad Bunny, reflete isso, com seu álbum em alta e suas músicas falando de temas que atraem públicos diversos, sua escolha é uma grande jogada de marketing do evento.

O show que começou como apenas um jeito de entreter o público enquanto se esperava que o fim do intervalo chegasse ao fim, hoje é um evento à parte que gera lucros milionários e atrai um público enorme que em diversos lugares, sintoniza seus aparelhos para assistir aqueles 15 minutos e sair após o fim do show.

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