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Torcedores apaixonados que são fãs da hipocrisia

  • 8 de abril de 2026
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  • Theillyson Lima
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Como a mídia diferencia os fanáticos pela cultura pop e os apaixonados pelo esporte. 

Raíssa Oliveira

“No fim, eu acho meio hipócrita os caras acharem normal tatuarem brasões de time, chorarem com jogador de futebol, e quando são meus fãs tatuando, chorando ou se expressando, aí já é demais”. Esse questionamento do cantor e compositor do pop brasileiro João Vitor Romania Balbino, conhecido popularmente como Jão, vai guiar este texto crítico e o entendimento do que é idolatrar alguém ou alguma coisa.  

E essa frase é bem embasada na realidade. Em maio do ano passado, um fã do cantor foi alvo de críticas e homofobia nas redes sociais ao citar um trecho de uma das músicas mais famosas no seu casamento. O noivo usou parte da letra de “Imaturo” para se declarar para a sua esposa no altar, no momento dos votos. Após a postagem nas redes, muitos comentários surgiram com cunho homofóbico, sugerindo que a mulher casou com o melhor amigo ou até está em um relacionamento sáfico, ou seja, uma relação entre duas mulheres. 

Esses comentários não se limitam ao fanatismo brasileiro. Na rede social Reddit, que tem um grande fórum de discussões e comunidades, existem alguns depoimentos de fãs da Taylor Swift sobre como são vistos pela sociedade ao redor do mundo. Em um fórum com o título “Como Taylor ou ser fã de Taylor é visto em seu país”, usuários deixaram as suas experiências. Um deles se identificou como um homem alemão, casado e com filhos, e compartilhou que recebe comentários homofóbicos, que o indicam como gay e transsexual. 

Outro fórum também criado no Reddit por um fã levanta o questionamento se algum homem gosta da Olivia Rodrigo, porque se sente sozinho nessa admiração, já que falaram para ele que, por ser homem, não pode ouvir músicas dela. Esse depoimento trouxe mais milhares, como o de um homem hétero que afirma se sentir inseguro porque a cantora é uma de suas artistas favoritas e tem medo do que os outros podem pensar, mas que isso provavelmente é um fruto de uma masculinidade tóxica da sociedade e é muito bom saber que não está só. 

A masculinidade tóxica citada pelo usuário é real e sempre esteve presente na sociedade a fim de menosprezar o emocional de mulheres ou ridicularizar homens que pensam de forma diferente. Em contraste com esse estereótipo, também existem os homens que julgam esse fanatismo, mas que possuem seus próprios, mesmo que chamem por outros nomes, como torcedores ou apaixonados, principalmente no ramo do esporte. Mas, como isso é visto pela comunidade e como mídia e jornalismo reforçam ou desmistificam vários desses estigmas?        

Eu vou te amar como um idiota ama     

Eu vou te amar como um idiota ama 

Vou te pendurar num quadro bem do lado da minha cama

Eu espero enquanto você vive

Mas não esquece que a gente existe 

Por mais que esse trecho da música “Idiota” do cantor Jão tenha sido produzida para um contexto de relacionamento amoroso e remeta a esse cenário, o fragmento acima pode ser interpretado como o sentimento de um fã pelo seu ídolo, porque expressa bem toda essa devoção. Afinal, o conceito do substantivo fã é uma pessoa que tem grande afeição ou demonstra grande interesse por alguém ou algo. Agora, imagine que você é um homem que veste a camisa do mesmo time de futebol desde pequeno, não deixa de assistir um jogo, quando o time é derrotado vira pauta no grupo de amigos e sempre que consegue junta as economias para viajar por quatro horas para ver uma partida. Como você chamaria isso?   

Alguns não se consideram fãs porque ser fã não faz parte da masculinidade que querem apresentar, então se autodenominam torcedores. Os mais apaixonados pelo time de futebol do coração ou pelo esporte em si dizem que são torcedores fanáticos, como um “corinthiano roxo”, expressão muito conhecida no meio do futebol. Novamente, de acordo com o dicionário, um torcedor fanático é quem demonstra entusiasmo extremo e incondicional e até irracional por um time de futebol, colocando esse sentimento de paixão como prioridade. Na teoria, um sinônimo do que é ser fã, mas na prática, para não ofender ou diminuir o que é quase uma religião, o termo é trocado por uma expressão equivalente.       

Torcedores que apoiam de maneira irrestrita e a qualquer custo

Uma breve análise da mídia e do jornalismo sobre o assunto traz esses conceitos à tona e confirma essas afirmações. A cantora Lady Gaga veio para o Brasil realizar shows no ano passado, o que gerou uma comoção enorme entre fãs. Os jornais destacaram a emoção e a dedicação de seus fãs para a acompanharem, como a Agência Brasil, que trouxe histórias das pessoas que aguardavam na fila para garantir um espaço privilegiado em seu show, ou como a CNN, que abordou a realização de vigília e utilização de fraldas dos seus fãs na fila. 

Essas práticas apenas reforçam o que é ser um fã, que como conceituado anteriormente, é uma pessoa que demonstra grande interesse por alguém ou algo. Porém, por algum motivo, quando se trata de temas culturais, ser fã é praticamente algo pejorativo, tendo em vista as pressuposições sobre orientação sexual de homens que participam de fandoms e mulheres que são taxadas de loucas e exageradas. Reforçando esse estigma ao noticiar esses episódios, a Revista Veja trouxe um adjetivo aos fãs da cantora: histéricos. “A histeria de fãs e perrengues nos bastidores de Lady Gaga no Rio” intitula a matéria que, no corpo do texto, informou que ela “distribuiu pizza aos fãs histéricos que a aguardavam acenar pela sacada”. 

Histeria. Mais uma palavra para apresentar a definição e relacionar com os seus estigmas. De acordo com o texto da Veja Saúde, um dos grupos do próprio conglomerado que publicou a reportagem, “descrever a personalidade de alguém como histérica não é apontar algum traço de desequilíbrio emocional, mas fazer referência a controversa condição psíquica”. Ou seja, a própria revista que definiu dessa maneira os fãs que esperavam pelo show da Lady Gaga, apresentou o conceito do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais sobre o termo, que considera como transtorno de personalidade e um padrão de comportamento que busca atenção em excesso, influenciando a cognição, afetividade e controle de impulsos. Por que descrever um fã dessa forma e enquadrá-lo até em quadro clínico, que pode evoluir para uma loucura, quando apenas exerce o seu papel? 

Aliás, partindo pro lado do esporte, quando os fãs de futebol fazem algo desse tipo não são considerados loucos pela mídia, e sim fiéis. Uma reportagem especial do UOL traz vários casos de pessoas que fizeram muito pelo time do coração: pegar 900 quilômetros de carona até o CT do São Paulo, viajar 12 horas de barco até o Palmeiras e andar três horas para conhecer algum jogador. Quando a matéria se refere ao fanatismo pelos jogadores até traz a ideia de fã, mas quando é pelo time do coração, se refere só como torcedor apaixonado. 

E na verdade, torcidas apaixonadas são um fandom tão grande que se referem ao futebol praticamente como uma religião a ser seguida. Alguns fãs até matam e morrem pelo clube, como o caso do jogador colombiano Andrés Escobar que foi assassinado após o gol contra, mas se autodenominar como fã é ofensa e admirar um cantorzinho pop também já é muito. A reportagem traz a ideia de que torcedores movidos por paixão e fé não medem esforços para apoiar as suas equipes, um lindo discurso de fã que não pode ser invalidado, assim como todos os outros discursos de fãs de cantores e outros nichos tão válidos quanto esse.        

Assim como disse um dos fãs da Lady Gaga em entrevista à matéria da CNN sobre espera para o show, “é um amor que não dá pra explicar. É como um time de futebol. A Gaga nos chama de Little Monsters e ela é a nossa Mother Monster”. Um sentimento tão grande que, para explicar essa dimensão de forma didática, pode ser comparado com a admiração por um time de futebol. No fim, eu acho meio hipócrita a mídia achar normal os caras matarem pelos seus times e quem participa dos outros fandoms ser chamado de louco ou exagerado.  

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