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Os hotéis em Belém que viraram pauta na COP 30

  • 25 de novembro de 2025
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  • Theillyson Lima
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Valores de hospedagem crescem em Belém e o jornalismo tem um papel essencial nesses contextos de crise.

Raíssa Oliveira

“Nunca vi ninguém reclamar de pagar isso quando vai viajar pra Camboriú”. Essa crítica foi deixada pela internauta Leandra Firmiano, em meio a tantos outros comentários do mesmo estilo, em uma postagem feita pela Folha de São Paulo sobre os valores cobrados em cima de alimentos em Belém, durante a COP 30 na Zona Azul, área de acesso restrito da cúpula. 

O jornal destacou que, além dos valores exorbitantes cobrados nos hotéis, os participantes da conferência contam com mais esse desafio, enfatizando a garrafa de água por 25 reais e a tradicional coxinha brasileira por 30 reais. Os comentários que criticaram o texto também apontaram que esses valores são normais em grandes cidades turísticas do Sul e Sudeste, aeroportos e viagens internacionais, por exemplo, ressaltando a falta de critério e xenofobia.

No decorrer do planejamento para a conferência, outros questionamentos surgiram, como o valor de passagens, hospedagem, alimentação e falta de infraestrutura. A partir das críticas, também surge a dúvida: qual o papel do jornalismo na cobertura dessas pautas e assuntos? 

Valores altos de hospedagem

Para entender esse assunto, vamos do início. Durante a COP 28, no dia 11 de dezembro de 2023 em Dubai, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou que o Brasil sediaria a COP 30 em Belém. Apesar da cidade não contar com uma infraestrutura como a de Dubai, o governador do Pará ressaltou as virtudes de se discutir preservação ambiental em meio a Floresta Amazônica, a maior floresta tropical do mundo todo. Porém, apesar das vantagens que fazem sentido com o objetivo da conferência, já que se trata de uma cúpula totalmente associada às metas ambientais, a baixa infraestrutura falou mais alto durante o período de planejamento e causou um desconforto mundial sobre a polêmica na lei de oferta e procura.

A partir disso, tudo que o povo e as autoridades falavam o jornalismo escutava e transmitia através de portais de notícia. Desde o início de todo o planejamento, ainda no ano passado, a falta de infraestrutura já era pauta no mundo inteiro. Em julho de 2024, o G1 publicou uma fala do presidente Lula, informando que o Brasil podería ter problemas sediando a COP 30 na Amazônia por conta dessa falta de recursos. Com a falta de infraestrutura, quem possuía a oportunidade de lucrar, não perdeu por esperar, principalmente tratando de hospedagem, transformando o evento na COP da Elite, de acordo com uma matéria do Valor Econômico. 

Em maio de 2025, a perspectiva que a matéria da Folha de São Paulo trouxe é que os itens ligados ao turismo estavam acima da média nacional. Os preços de hospedagem em Belém subiram 17,37% enquanto em todo Brasil avançaram 11,5%, por exemplo. O Liberal trouxe informações de que as hospedagens em Belém para a COP ultrapassaram R$1,5 milhão.         

Críticas e crise diplomática

Em junho deste ano, o UOL divulgou que a situação se enquadrava em crise diplomática, já que em menos de cinco meses do encontro, delegações oficiais não tinham hospedagem e, enquanto algumas diziam que enviariam equipes reduzidas, algumas ameaçaram ausência. As reclamações e críticas também vieram do presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, que afirmou que os preços das hospedagens em Belém estavam 15 vezes maiores quando comparadas às edições anteriores. Essa informação foi divulgada em agosto pelo O Globo, em uma cobertura de audiência pública que o presidente esteve na Câmara dos Deputados. 

Nessa matéria, também foi abordado que o presidente da Áustria não participará do evento devido aos altos custos. Já em outubro, apenas a um mês do início da COP, o G1 publicou que dezenas de países ainda não haviam garantido acomodações para a cúpula devido ao aumento brusco dos preços, planejando e considerando a possibilidade de não comparecer.            

Resposta das autoridades

Como resposta à crise, os organizadores da COP 30 estavam convertendo motéis, navios e até igrejas em alojamentos para os 45.000 delegados previstos para a cúpula. O Brasil abriu uma plataforma online de reservas e disse que forneceria 15 quartos com preços abaixo de US$220 por dia para delegações de países em desenvolvimento e com limite de US$600 às delegações de nações ricas. Em contrapartida, o presidente Lula visitou as acomodações e negou que faltaria hospedagem para os participantes e não temia esvaziamento do evento. 

A ONU também aumentou a verba para subsidiar as hospedagens dos países em Belém. Em setembro, apenas 40% das delegações previstas já haviam reservado hospedagem e o preço de subsídio da organização passou de 763 reais por diária para 1.044, atendendo a uma demanda apresentada pelos países em agosto, o valor foi repassado para 144 países. Além disso, às vésperas do encontro, dois navios transatlânticos chegaram para reforçar a hospedagem na COP 30 e funcionar como hotéis flutuantes para as delegações. 

Queda nos preços 

No início de novembro, o G1 informou que, de acordo com o Airbnb, os preços médios das hospedagens despencaram pela metade em Belém. Segundo o serviço online, a metrópole registrou um aumento de 54% no número de anúncios ativos desde o início de 2024, em um movimento associado à preparação para a COP 30. Essa expansão da oferta coincide com a queda no preço médio das diárias. Com outras alternativas disponíveis e novos anfitriões cadastrados, o mercado local mostra um ajuste de valores, sem repetir os valores elevados.  

A cobertura jornalística

Após meses no mesmo cenário, em que as  pautas de jornais e sites de notícia eram quase  exclusivamente sobre os valores exorbitantes dos hotéis, passagens e alimentos, voltamos à dúvida que permeia o texto desde seus primeiros parágrafos: qual o papel do jornalismo?

Nesse contexto, como em qualquer outra situação, o papel do jornalismo deve ser o mesmo que ele sempre teve: traduzir o mundo em uma perspectiva de fácil entendimento para que todos tenham acesso às informações que os rodeiam. É uma pena que tantas pautas extras substituíram as metas climáticas, mas existe um grande fator noticioso em um pavilhão que pegou fogo e em delegações retiradas dos navios que estavam acomodadas porque a COP excedeu um dia para finalizar e os transatlânticos precisavam retornar para as suas origens. 

O jornalismo fala do que a sociedade está cheia. E sim, quando a polêmica envolve Sul ou Sudeste também é noticiado. No outro grande evento que o país abrigou, a Copa do Mundo de 2014, o UOL divulgou uma informação de que a hospedagem ficou até 376% mais cara.     

Respondendo os questionamentos do início do texto, se é correto cobrar tanto do município, não importa, o que importa é que está sendo cobrado por autoridades, pela sociedade e até por outros países, se tornou um tema mundial e de relevância pública. Consequentemente, se está acontecendo no mundo e é algo fora do comum, precisa ser assunto no jornalismo.

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