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O consumidor que mais gera conteúdo

  • 8 de abril de 2026
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  • Theillyson Lima
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Uma análise sobre o fã que produz conteúdo e está inserido na mídia. 

Vitória Amábili 

“Rooters“, “bugs“, “fiends“, “cranks” e “fã”. Essas eram as palavras usadas em 1880 para dar nome aos entusiastas de beisebol, torcedores empolgados por seus times e jogadores. Já na cultura pop, a palavra “cranks” ganhou um novo significado com a trilogia de filmes “Maze Runner”, por denominar desta forma o vírus que infecta os seres humanos na saga.  

Sendo um vírus implantado na população ou não, a cultura pop abriu o caminho para uma legião de fãs das mais diversas coisas: futebol, literatura, obras cinematográficas, celebridades, músicos, videogames, atores, influenciadores e mais um grande leque de opções. Com o crescimento da informação, é muito fácil encontrar um fã de algo totalmente aleatório na internet, diferentemente de quando a palavra “fã” começou a ser usada. 

Para além dos paradigmas e senso comum, a mídia não trata o fã apenas como um consumidor, mas dá à ele o poder para produzir conteúdos. O que um fã faz com essa informação e porque a mídia faz isso? 

O glossário do fã 

Fanfics, Fanarts e Fanfilms. Essas são algumas das palavras presentes no dia a dia dos fãs. Talvez elas não façam sentido, mas são nada mais do que histórias, desenhos manuais ou digitais e filmes produzidos por fãs, respectivamente. 

Mesmo sem conhecer esses nomes, é impossível não se deparar com esses produtos. Qual o seu filme favorito? Ainda que você não faça parte de um grupo do Telegram que envia as principais notícias sobre ele, é certo que ao pesquisar no Pinterest pelo nome dele muitos exemplos de artes vão aparecer para baixar, e provavelmente você já usou alguma de papel de parede. 

Quem produziu essa arte não foi a própria produtora do filme, nem uma empresa paga para divulgar o lançamento da obra, foi simplesmente um fã. Uma pessoa que gosta do universo e usa seus talentos para produzir produtos que vão parar nas redes sociais. 

A pessoa que produz conteúdos escolhe em publicá-los ou não, mas quando esse produto chega às redes sociais o alcance é gigantesco, e os direitos autorais vão se perdendo a cada clique e download. Para quem gasta horas desenvolvendo um banner do seu casal literário favorito, os sentimentos variam entre uma grande felicidade e euforia ao publicar a imagem e um desânimo ao perceber que o seu nome se perde e, enquanto isso, a mídia se aproveita do alcance para engajar ainda mais em cima do conteúdo. 

Dê um fandom para ela 

De um lado o fã frustrado que não consegue publicar suas histórias, de outro a fila de produtores que se deram bem. Sara J. Mass, conhecida escritora americana das obras “Trono de vidro” e “Corte de espinhos e rosas”, começou com um pé na escrita de fanfic. Através da leitura de Harry Potter, a escritora começou a escrever suas primeiras histórias e, aos 16 anos, os esboços de “Trono de vidro” estavam nascendo. Assim como Sara, muitos escritores encontraram na produção de fanfics o caminho para a publicação de suas próprias obras. Os filmes de “After” seguem essa linha. Antes de filmes eram livros, e antes de livros eram fanfics disponíveis no Wattpad sobre o cantor Harry Styles.  

No mundo cinematográfico, Freddie Wong é um exemplo do que um currículo de fã pode fazer. Fã nato de vídeo games e cultura nerd, iniciou suas produções com vídeos para o YouTube inspirados em jogos como Call of Duty e Halo. Foi durante a criação de curtas cinematográficos com efeitos especiais, famosos fanfilms, que seu canal ganhou repercussão e ficou conhecido pelo conteúdo quase profissional. Dessa forma, ele e sua equipe começaram a ser contratados por grandes empresas e, hoje, dirige filmes independentes e é dono de uma produtora. 

Existe espaço na internet para muitas histórias como essas, fãs que viralizaram por produzirem conteúdos sobre os universos que gostavam. Mesmo que a mídia tenha na mão o poder de esconder o produto de um fã, ela não consegue e também não quer conter o próprio exército criado pelos fandoms, que na maioria das vezes são o público que mais engaja. O problema, muitas vezes, é que o próprio fandom que apoia e ajuda é o que destrói algo que diz respeito a ele mesmo. 

Uma viagem com tudo pago

Por outro lado, chama atenção os fãs patrocinados por empresas. Imagina fazer uma viagem para um país dos seus sonhos. Adicione nesta lista o fato de que você poderia conhecer os principais pontos turísticos do local e ver o show ao vivo da sua banda favorita. Você iria para uma viagem com tudo incluído: hotéis, alimentação, transporte e um show quase particular do seu artista favorito. Parece algo de outro mundo, mas foi isso que a Netflix proporcionou aos produtores de conteúdo e fãs do BTS. 

Garantindo um marco histórico para o seu catálogo, o streaming transmitiu ao vivo a volta da banda aos palcos e, além disso, levou fãs do grupo para assistirem o show ao vivo na capital sul coreana. O que o maior serviço de streaming do mundo vai ganhar levando fãs para um show de kpop do outro lado do mundo? 

Para as grandes empresas e streamings, financiar uma viagem para os fãs não saí tão caro quando esse fã é engajado e vai gerar mais números ainda. Acaba que o valor pago para levar essas pessoas à viagens e shows não é nem a metade daquilo que ele vai ganhar no final do dia com os compartilhamentos, assinaturas e vendas. Para eles, o fã não é apenas um consumidor, mas o próprio influencer e, por isso, é escolhido a dedo para esses eventos. 

Ciclo vicioso 

Para Clay Shirky, escritor e professor universitário, esse comportamento de um fã influencer é explicado pela cultura participativa. Em seus livros, ele destaca que essa cultura é uma união de funções em uma mesma pessoa, em que ela pode ser tanto a consumidora de um conteúdo como a produtora do mesmo. Os mesmos equipamentos como telefones e computadores permitem o consumo e produção e, por isso, toda vez que um novo consumidor se une a esse cenário de mídia, um novo produto se une também. 

Um ciclo sem fim. Consumir todos os produtos do seu cantor favorito e gerar renda para o artista ao adquirir álbum, objetos colecionáveis e ingressos para os shows e, após isso,  encontrar tempo e criatividade para criar produtos que ajudarão a promover o trabalho do artista. Para alguns, são nesses momentos criativos que eles encontram calma e descanso mental depois de um dia corrido e, para outros, o trabalho deveria gerar reconhecimento. 

O campo de estudo da pesquisa sobre os motivos de um fã produzir ou não é a plataforma Reddit, especificamente a comunidade FanFiction, na qual diversas pessoas escrevem fanfics e compartilham a sua história. Existem os que escrevem histórias e não possuem o menor desejo de publicar, por vários motivos: medo de plágio, vergonha, rejeição do próprio fandom, ou escrevem apenas por hobby. Tem a parcela de fãs que queriam publicar as suas histórias, mas os direitos autorais batem na porta e o sonho fica para depois. 

Quando o fã abre essa porta, muitas opções aparecem para ele. A mídia vai receber o conteúdo e ajudar a promovê-lo se ele gerar mais engajamento, curtida e principalmente novos influencers. Os fandoms podem gostar ou não,  promovendo a dispersão do conteúdo ou escondendo o mesmo. O fã pode ser reconhecido, pode receber oportunidades de emprego e fama, ou ser apenas mais uma pessoa que produz conteúdos. De qualquer forma, a cultura de fã o transforma de um simples consumidor em um criador, e mesmo que ele não publique ou não divulgue seus produtos, ele continua sendo um produtor. 

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