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Futebol não pode ser palco para a impunidade

  • 18 de março de 2026
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  • Theillyson Lima
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Para que nunca mais se repita, em memória de Eliza Samudio.

Príscilla Melo

As prisões geralmente são vistas pela maior parte da população como um meio de aplicar uma punição a um indivíduo que cometeu um crime. Apesar da ideia coletiva, o real objetivo do sistema penitenciário brasileiro é proporcionar a reabilitação, a fim de depois do período de cumprimento de pena do detento, devolver à sociedade uma pessoa ressocializada. 

Entretanto, a reintegração do ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos de prisão por homicídio, sequestro e ocultação de cadáver, no futebol, abriu palco para discussão e debate. Será que o ato de reintegrar condenados em um esporte tão popular no país não seria uma forma de impunidade perante os crimes brutais cometidos? É o que discutiremos a seguir.

Uma falta mais que grave

Eliza Samudio era uma jovem natural de Foz do Iguaçu, Paraná, que ao completar 18 anos se mudou para a cidade de São Paulo com a expectativa de se tornar uma goleira profissional no futebol. Porém, a vida na capital paulista não saiu da maneira como ela imaginava. Em busca de novos horizontes, Eliza se mudou para o Rio de Janeiro, onde conheceu Bruno, e foi a partir daí que sua vida mudou completamente.

Entre 2006 e 2010, Bruno estava em ascensão em sua carreira como jogador do Flamengo. Ele atuava como capitão do time e era considerado um dos melhores goleiros do país, com alto valor no mercado. Mas apesar do seu bom desempenho em campo, o goleiro já acumulava um histórico de confusões em sua vida privada, antes mesmo de conhecer Samudio. A relação dos dois gerou uma criança, situação que foi exposta na mídia por ela. A imagem de Bruno, que era casado, começou a ser ‘‘manchada’’ por esse fato. 

Os desentendimentos entre Eliza e o jogador eram constantes e ela chegou a denunciá-lo por ameaças várias vezes, até desaparecer em junho de 2010. Bruno negou saber seu paradeiro. No mês seguinte, um primo do goleiro confessou ter participado do sequestro e confirmou a morte de Samudio. Bruno foi julgado e em 2013 foi condenado por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado. O corpo de Eliza Samudio nunca foi encontrado.

De volta aos gramados

Antes do crime, Bruno construiu sua carreira jogando em times como Flamengo, Corinthians e Atlético-MG. Ele alcançou o regime semiaberto em 2019 e cumpre liberdade condicional desde 2023. Seria normal deduzir que sua história no futebol acabou no momento em que ele foi considerado culpado de um crime tão bárbaro como o assassinato de Eliza Samudio, mas o enredo dessa história não terminou dessa forma.

Desde sua liberação da prisão, Bruno marcou presença em vários times pequenos como Boa Esporte-MG, Rio Branco-AC, Araguacema-TO, Atlético-RJ, Capixaba-ES, Vasco-AC e Menezes Esporte Clube, atual time do jogador. Com esse último time, Bruno fechou contrato em fevereiro e aguardava o início das partidas que começarão em maio, até que a justiça do Rio de Janeiro determinou sua prisão por descumprimento da condicional, no dia 5 de março, após ele viajar sem autorização. Até o dia da publicação deste texto, o ex-goleiro Bruno segue foragido.

Segundo o diretor esportivo do Menezes Futebol Clube, se a decisão judicial for revogada o time pretende manter Bruno no elenco e cumprir o contrato. 

Chama o VAR

Ao comparar crimes cometidos por jogadores de futebol, percebe-se uma grande diferença na maneira como a maioria dos times tratam jogadores que cometeram alguma ilegalidade, e a forma como Bruno segue sendo acolhido depois do seu delito. 

Em 2020, o ex-lateral do Botafogo, Márcio Almeida de Oliveira, conhecido como Marcinho, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio (Tj-Rj) por homicídio culposo ao atropelar um casal de professores, enquanto dirigia embriagado e em alta velocidade, causando dois óbitos. A justiça lhe determinou uma pena de três anos e seis meses em regime aberto, que pode ser paga com prestação de serviço. No entanto, após o término do contrato, logo depois do acidente, o Botafogo não renovou com o jogador. 

Em agosto de 2022, o ex-zagueiro do Palmeiras e Bragantino, Renan Víctor Silva, se envolveu em um acidente de trânsito que causou uma vítima fatal, em Bragança Paulista. Na ocasião, Renan estava alcoolizado e não possuía habilitação. A justiça considerou um homicídio culposo, concedeu liberdade provisória, determinou uma multa de R$242 mil, na época, e fixou a obrigatoriedade da presença dele em todos os atos do processo. Renan fez um acordo de indenização com a família do falecido e apelou a permissão para deixar o país. 

Levando em conta a colaboração com as investigações, a fiança paga, a indenização, o fato do jogador ter tido seus contratos com o Palmeiras e o Bragantino anulados devido ao ocorrido, e a dificuldade de se inserir novamente no mercado de trabalho, a juíza responsável pelo caso foi a favor do pedido. Após uma semana, Renan foi anunciado no Shabab Al-Ahli Dubai, do Emirados Árabes, time no qual se consolidou como titular e tem contrato fechado até 2029.

Motivo de expulsão

Comparando o nível de gravidade entre os crimes cometidos por Marcinho, Renan e Bruno, percebemos uma diferença gritante. Dois, condenados por crimes culposos perdem toda a atratividade para seus respectivos clubes, enquanto um condenado por um crime que chocou o país segue sendo aclamado e requisitado como uma estrela.

Em fevereiro deste ano, Bruno publicou em seu Instagram uma foto em frente ao Maracanã após o jogo entre Flamengo e Internacional. Os comentários do post o chamavam de ‘‘ídolo da nação’’, e diziam ‘‘bom te ver novamente no Maracanã’’. Em outro momento Bruno postou um texto agradecendo a todos que o abraçaram, tiraram fotos, pediram autógrafos e deram os parabéns a ele por seu recomeço, durante um simples passeio ao shopping.

A pergunta diante disso é: por que um vilão é tratado como um herói?

Acréscimo desnecessário

No Brasil, o futebol vai muito além de uma modalidade esportiva. É uma paixão que passa de pai para filho, que faz os amigos se reunirem, desconhecidos se abraçarem para comemorar e os jovens se inspirarem. De acordo com uma pesquisa do Bola VIP, 57% dos brasileiros acreditam que poderiam ter se tornado jogadores de futebol se tivessem tido a oportunidade. 

Em sala de aula, quando ouvem a famosa pergunta, ‘‘O que você quer ser quando crescer?’’, a maioria dos meninos responde, jogador de futebol. Mas o que preocupa não é a prática da profissão em si, mas sim, em que jogadores eles estão se inspirando. E se for em pessoas como o ex-goleiro Bruno, que escancaram através de sua profissão que a impunidade existe e que nem todo vilão se dá mal no fim da história? 

É verdade que todos merecem uma segunda chance, mas é preciso haver limites claros. Alguém que tem a ficha criminal que ele tem, não deveria ser ovacionado como é. Afinal, pessoas influentes se tornam exemplos para outros, exemplos tendem a ser seguidos. E nós não queremos que nenhuma outra mulher no Brasil tenha o mesmo destino de Eliza Samudio.

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