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Os fandoms e suas facetas

  • 8 de abril de 2026
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  • Theillyson Lima
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Muito além de fãs, essas comunidades moldam tendências, movimentam mercados e redefinem relações entre público e ídolos.

Caio Leite Ferreira

Fandom é um termo criado nos Estados Unidos que depois foi popularizado mundialmente. O termo deriva do inglẽs fan (fã) e a segunda sílaba de kingdom (reino), o que consiste basicamente um reino de fãs. Mesmo sendo considerado um termo atual, a palavra e o significado se originaram em 1903, com o dicionário americano Merriam-Webster registrando o primeiro uso do vocábulo.

Em filmes, séries e músicas é comum você ver grupos que admiram o mesmo músico, ator e diretor e assim nascem os grandes grupos de fãs. Quando as pessoas pertencem a um fandom, a rotina muda e o que antes era uma rotina individual, vira muitas vezes trabalho e compromisso. Em 2023, antes de um show de Taylor Swift, mais de 100 fãs combinaram e fizeram uma espécie de encontro de fãs. As chamadas Swifties se reuniram e tiveram a ideia de fabricar pulseiras de amizade na véspera do show da cantora.

Fandom antes da internet

Mesmo tido como algo recente, a prática de fãs começou a ser vista com mais atenção quando Conan Doyle escreveu os livros do conhecido investigador Sherlock Holmes, em 1887. Os “Sherlockianos” é uma comunidade ativa desde o final do século XIX e são mais do que leitores e apreciadores da história, muitos avaliam Sherlock como peça de estudo e discussões. 

Isso foi ainda mais entendido quando Conan, no último conto de Sherlock, matou Holmes no embate final do livro “O Problema Final’’ nas Cataratas de Reichenbach, na Suíça. Não ficou barato, os fãs ficaram furiosos e chegaram até a mandar cartas para o autor e passaram a usar braçadeiras pretas nas ruas em sinal de luto.

Limites ultrapassados

Para um contexto e entendimento mais apurado, é preciso encarar os fandoms não só como fãs, mas também como indústria. Roupas, cortes de cabelo e estilos são elementos que geram engajamento imediato, às vezes simplesmente pelo fato de estarem sendo usados por alguém aclamado por essa comunidade. Um pertencimento perigoso, que em muitas ocasiões, tira a identidade da pessoa.

Ana Hickmann, apresentadora de TV, foi vítima de ameaças por um suposto fã em Belo Horizonte, em 2016. Ao perseguir a comunicadora, Rodrigo Augusto de Pádua invadiu o quarto, fez ameaças e baleou a assessora da modelo. Um exemplo chocante, mas não incomum em fanatismos existentes na sociedade.

Fandom sob o olhar do jornalismo

O crescimento dos fandoms também chamou a atenção do jornalismo, que passou a tratar essas comunidades tanto como fenômeno cultural quanto como pauta econômica. Em veículos de comunicação, é comum ver reportagens que destacam o impacto financeiro de grandes bases de fãs, especialmente na indústria da música e do entretenimento. Um exemplo disso foi a ampla cobertura da turnê The Eras Tour, de Taylor Swift, na qual diversos portais destacaram não apenas os shows, mas também o impacto econômico gerado nas cidades por onde a cantora passou, impulsionado diretamente pelo engajamento e idolatria dos fãs.

Outro caso recorrente é a cobertura sobre o fandom do BTS, em que jornais e sites frequentemente destacam a mobilização do grupo ARMY em campanhas sociais e ações coletivas nas redes, mostrando como essas comunidades ultrapassam o entretenimento e atuam também em causas sociais.

Por outro lado, o jornalismo também aborda os aspectos problemáticos dos fandoms, como ataques virtuais, disseminação de desinformação e episódios de perseguição a figuras públicas. Casos de conflitos entre fãs de diferentes artistas nas redes sociais, por exemplo, costumam ganhar espaço na mídia. Em muitos casos, essas coberturas buscam equilibrar a valorização do engajamento positivo com a crítica aos excessos, ajudando a construir uma visão mais ampla sobre o tema. Dessa forma, os meios de comunicação desempenham um papel importante ao mediar a forma como a sociedade enxerga essas comunidades.

Entre paixão e obsessão vem o dinheiro

Além dos episódios extremos e das críticas ao comportamento excessivo, é importante ressaltar que os fandoms também desempenham um papel positivo. Em muitos casos, eles funcionam como espaços de acolhimento, principalmente para jovens que encontram nessas comunidades um senso de pertencimento que nem sempre possuem com a sua própria família, por exemplo. Compartilhar gostos, teorias, emoções e experiências cria laços reais, ainda que mediados pela internet.

Outro ponto relevante é o impacto cultural e criativo dos fandoms. Produções como fanarts, fanfics e vídeos mostram que o fã deixou de ser apenas consumidor para se tornar também produtor de conteúdo. Esse engajamento fortalece obras, amplia narrativas e, muitas vezes, mantém histórias vivas por décadas, como no caso citado de Sherlock Holmes. Além disso, artistas e produtores passaram a enxergar os fandoms como parte essencial de suas carreiras, criando uma relação mais direta com o público.

Também há um aspecto econômico significativo. O engajamento de fãs movimenta mercados inteiros, desde a indústria musical até o cinema e a moda. Turnês, produtos licenciados e campanhas publicitárias são impulsionados diretamente pela força dessas comunidades. Nesse sentido, o fandom deixa de ser apenas um grupo de admiradores e passa a ser um agente ativo dentro da indústria cultural.

No entanto, é necessário estabelecer limites. Quando a admiração se transforma em obsessão, como em casos de perseguição ou ataques virtuais, o que deveria ser uma forma de expressão passa a representar risco. O anonimato das redes sociais, utilizando contas “fakes’’, muitas vezes intensifica esse comportamento, criando ambientes de intolerância e rivalidade entre diferentes grupos de fãs.

O equilíbrio necessário 

Dessa forma, os fandoms representam um fenômeno complexo, pois, ao mesmo tempo em que promovem conexão, criatividade e movimentação cultural, também podem incentivar atitudes extremas quando não há equilíbrio. Cabe aos próprios fãs e à sociedade compreender esse limite entre admiração e fanatismo.

No fim, o fandom não deve ser visto apenas como algo positivo ou negativo, mas como um reflexo do comportamento humano que já começou em épocas passadas. Quando bem direcionado, ele fortalece relações, incentiva a criatividade e constrói comunidades. Por outro lado, quando ultrapassa limites, evidencia riscos. Assim, mais do que julgar os fandoms, é essencial entender como cada um funciona e como podem ser vividos de forma saudável e respeitosa.

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