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30 vezes negociando o clima

  • 25 de novembro de 2025
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Um evento anual e as tentativas de reverter um cenário que só piora.

Nátaly Nunes

Não contente-se apenas em saber que aconteceu no Brasil este ano, que o evento serve para falar sobre o clima e que causou algumas polêmicas. Chegou a hora de furar a bolha e saber um panorama geral sobre a Conferência das Partes. 

No jornalismo, existe uma regra que é essencial na notícia: o lead. Ele é responsável por, de início, responder as perguntas essenciais do texto (O que? Quem? Onde? Quando? Como? Por que?). Partindo de dados do Ideia Instituto de Pesquisa e do Instituto LACLIMA, lançado em junho deste ano, 71% dos brasileiros não sabem o que é a COP 30. Então, nada melhor do que fazer deste Canal da Imprensa um grande lead jornalístico destrinchando a nossa principal pauta do momento: a COP. 

O que?

A Conferência das Partes, mais conhecida como COP, é o “Encontro anual dos representantes de países e territórios signatários da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima) para discutir políticas ligadas às mudanças do clima”, de acordo com o glossário do UOL. Em resumo, a COP ajuda a definir como o mundo vai enfrentar a crise climática, e se vai conseguir. 

No Rio de Janeiro, em 1992, o evento Cúpula da Terra acontecia e lá os 198 países presentes reconheceram que as ações humanas alteram o clima do planeta para pior. Portanto, foi criado um órgão responsável que ia controlar as futuras reuniões sobre o efeito estufa: a Conferência das Partes.

Quem?

195 países que aderiram à UNFCCC participaram da COP 30, a mais recente. Diversas figuras emblemáticas também marcaram presença no evento, como o Príncipe William no Brasil para esta última edição. Ao mesmo tempo, figuras emblemáticas não participaram, como o presidente Donald Trump. 

Onde? 

O país anfitrião alterna entre os cinco grupos regionais das Nações Unidas (Grupo Africano, Grupo Ásia-Pacífico, Grupo Europa Oriental, Grupo América Latina e Caribe (GRULAC) e Grupo Europa Ocidental e Outros (WEOG)). Os membros realizam consultas para determinar o país que vai sediar o evento. Depois, o escolhido pelo grupo envia uma proposta sobre o local e a data ao secretariado da UNFCCC, que vai verificar a logística, elementos técnicos e financeiros para a realização das sessões. A Europa já sediou 15 edições da COP, a África 5, Ásia 5 e as Américas 6. Fugindo um pouco do assunto, eu consigo imaginar, diante dos problemas, pessoas no X (antigo Twitter) dizendo “E quem foi o maluco que passou por todo esse processo e autorizou a COP acontecer no Brasil?”, e adicionando vários emojis. 

O Valor Econômico explica como foi a decisão da escolha para essa edição ser no Brasil. Ela foi tomada durante a COP 28, em Dubai, no ano de 2023. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, anunciou a cidade de Belém justificando que a imensa biodiversidade da Amazônia ia mostrar o caminho que está sendo ameaçado. “Realizar a COP 30 no coração da floresta é um poderoso lembrete da nossa responsabilidade de manter o planeta dentro da nossa meta de 1,5°C”, disse a ministra durante a plenária.

E eu sei que você, leitor, talvez nunca tenha se indagado sobre o assunto, mas agora pode ter criado a curiosidade para saber em qual país vai ser a próxima. IMPASSE. Isso não é nem um lugar, obviamente, mas nos títulos das matérias esta palavra apareceu até mais que o nome Turquia, o país que vai sediar a COP 31. 

Você não saber o que no jornalismo existia o lead, é totalmente compreensível, mas certamente já ouviu falar em clickbait e entende a estratégia em não dizer o nome já no título. Então, vamos entender apenas o motivo do uso dessa palavra. “Sede da próxima COP é definida após impasse; veja onde vai ser”, segundo a matéria da Terra, usada como exemplo, a disputa estava entre Austrália e Turquia, que se recusou a recuar. Portanto, a COP 31 vai acontecer na Turquia enquanto a Austrália presidirá as negociações pré-cúpula. 

Quando?

Anualmente os países se reúnem, tradicionalmente em novembro. Para escolher a data, o país escolhido envia a sugestão junto do documento citado antes com a proposta do local. Entre uma COP e outra alguns trabalhos técnicos são realizados para negociações e aprovações. Um exemplo é a Conferência de Bonn, na Alemanha, que funciona como uma reunião preparatória.

Como?

O site Brasil de Direitos explica que cada país planeja medidas de mitigação e de adaptação de acordo com a sua contribuição histórica. Quanto mais ele polui, mais medida há para implementar. As decisões vão sendo tomadas por consenso, e o texto explica que não é necessariamente por unanimidade. Nem sempre todas as partes estão completamente de acordo.  

Por que?

Não existiu uma época em que o homem não precisou e, automaticamente, transformou a natureza. Com o passar dos anos, com o passar das necessidades, com o passar das evoluções tecnológicas, a consciência da finitude da natureza foi se tornando evidente. Por volta de 1800 a terra alcançou o marco de 1 bilhão de habitantes e, junto disso, a Revolução Industrial, que revolucionou a relação: homem vs natureza. Atualmente, as ações do ser humano não são pensadas apenas no seu ganho de recursos, elas também são carregadas pelo peso da perda, que na maioria das vezes, é maior que a colheita. 

Acordos, crises e urgências

No geral, a Conferência das Partes gira em torno de negociações preparatórias, aprovação de detalhes técnicos e até mesmo reuniões sem grandes acordos. Porém, existiram edições de grandes mudanças, como algum acordo global criado, regras fundamentais mudando a forma de tratar o clima ou avanços inéditos. E para começar essa lista, nada melhor do que voltar para a COP 1.

COP 1 – Start 

O ano é 1995, dia 28 de março, e a primeira conferência oficial está começando em Berlim, capital da Alemanha. Um relatório diário da Earth Negotiations Bullertir, que por sinal é bem detalhado, apresentou que do ponto de vista organizacional e administrativo, a COP 1 realizou muito mais do que outras reuniões ambientais que haviam acontecido até o momento. Um dos grandes resultados foi o Mandato de Berlim, que trouxe uma atenção maior para a redução da emissão de gases efeito estufa, definindo metas mais rigorosas. 

Segundo uma matéria da USP sobre a importância da negociação climática: “O mandato abria as negociações para compromissos mais fortes e obrigatórios para os países desenvolvidos. As decisões tomadas em Berlim foram decisivas na criação de outros acordos, como o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris”. Outro ponto interessante é lembrar que o mundo estava passando por um período de alinhamento internacional, principalmente com a queda do muro de Berlim em 89.

E o Brasil no meio de tudo isso? O país resistiu, de certa forma, às atividades implementadas conjuntamente. Isso significa que o Brasil tinha cautela em aceitar que créditos de redução de emissões fossem gerados apenas por projetos com países desenvolvidos sem afetar suas próprias prioridades e o seu direito ao desenvolvimento. 

COP 3 – Conquista

O Protocolo de Kyoto foi criado na COP 3. O primeiro grande acordo internacional estimulava novas formas de desenvolvimento sustentável e previa para os países mais industrializados a redução de 5,2% das emissões dos principais gases poluentes. Os Estados Unidos, em 2001, abandonou o acordo porque acreditavam que as metas iriam comprometer o desenvolvimento econômico do país, sendo ele o maior emissor histórico. 

Olha aí a história se repetindo. Por isso, sempre que as questões climáticas entram em pauta, a discussão nunca é totalmente conclusiva. Cada país tem sua própria realidade, com desafios, prioridades e capacidades diferentes. Isso faz com que os pontos a serem alinhados variem muito. Mesmo que o objetivo principal seja proteger o meio ambiente, surge a pergunta: as formas de resolver essas questões estão sendo eficazes? O título de uma matéria na Folha de São Paulo publicada no início deste ano responde: “Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor há 20 anos, fez história mas não impediu avanço de emissões”. Toda essa discussão de eficácia e ainda estamos em 1997, em Kyoto no Japão. 

COP 15 – Insatisfação

O título é: “Fracasso é a herança da COP 15”, e a linha fina da matéria do Correio Braziliense completa “Em uma reunião esvaziada de líderes mundiais, negociadores fecham um texto que não conseguiu atingir o objetivo de substituir o Protocolo de Kyoto. Conferência acabou em um acordo meramente político, sem força de lei”. 

Copenhague, na Dinamarca, foi palco em 2009 de uma conferência com contratempos e um término sem conseguir estabelecer metas ousadas de emissões de gases de efeito estufa. O presidente Lula, que estava em seu segundo mandato na época, disse em seu pronunciamento que estava insatisfeito e alfinetou líderes mundiais. “Confesso que estou um pouco frustrado porque discutimos a questão do clima e cada vez mais constatamos que o problema é mais grave do que nós possamos imaginar. Mesmo as metas, que deveriam ser uma coisa mais simples, tem muita gente querendo barganhar”, falou Lula. 

COP 21 – Marco

Precisamente às 19h26 de um sábado, no dia 12 de dezembro de 2015, a cidade de Paris presenciou um avanço que deu título a matéria do Observatório do Clima em tom festivo: “Enfim, o acordo do clima!”. O compromisso dos 195 países seria manter o aumento da temperatura global em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais (com a expectativa de chegar até mesmo a 1,5°C). 

Um texto da Época, intitulado “COP 21: A baixa ambição em Paris garantiu uma vitória histórica” apresenta o acordo como uma conquista tímida. “Talvez não seja ainda o suficiente para salvar o mundo das mudanças climáticas mais dramáticas e catastróficas”, disse o jornalista Alexandre Mansur. Na frase seguinte ele reconhece o mérito de terem conseguido colocar todos os países no mesmo tratado, “inclusive os Estados Unidos (que estavam fora do Protocolo de Quioto), a China (que não tinha obrigações antes e virou o grande emissor do mundo) e a Índia (que também não tinha obrigação alguma e caminha para ser um dos maiores geradores de carbono na atmosfera)”. 

Bom, 10 anos depois e o mérito já não vale mais um terço da sua justificativa. Em seu primeiro dia de mandato em 2025, o presidente Donald Trump assinou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, porque seu objetivo é aumentar a produção de combustíveis fósseis do país. 

COP 26 – Alerta

Em 2021, ano seguinte ao início da pandemia do coronavírus, na cidade de Glasgow, Reino Unido, começava em um domingo, 31 de outubro, a COP 26. As mudanças climáticas passaram a ser vistas como algo mais alarmante. De acordo com o relatório do Painel intergovernamental sobre Mudança Climática, o aumento das temperaturas pode causar, até o final do século, o aumento de 62% das áreas queimadas por incêndios florestais no Hemisfério Norte durante o verão, entre outras situações prejudiciais à vida. “Sem ação decisiva, estamos jogando com a nossa última oportunidade de, literalmente, inverter a maré”, falou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Com isso, o Pacto Climático de Glasgow nasceu. Pela primeira vez os países acordaram reduzir a geração de energia a carvão. Diminuir as emissões de gases de efeito estufa e financiamentos também foram reforçados. Além disso, eles concluíram o livro de regras do Acordo de Paris, em relação aos mecanismos de mercado e abordagens não mercantis. 

Ta, mas, e o Brasil? Já na abertura, o governo anunciou a meta de reduzir as emissões de carbono em 50% até 2030, além de projetos de financiamento e programas de crescimento. Porém, de acordo com uma matéria da BBC News, os representantes do Brasil, além de discutir sobre o clima, tinham mais um papel a cumprir. “O Brasil chega à mesa de negociações da COP 26, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, com uma missão difícil: tentar reduzir o impacto da imagem negativa criada pela política ambiental do governo Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, cobrar mais financiamento de países ricos a nações em desenvolvimento”, escreveu a jornalista Nathalia Passarinho. 

Aqui e agora

Até um dia antes do seu início, mais da metade dos brasileiros não sabiam que a COP 30 iria acontecer em Belém, segundo um levantamento da Genial/Quaest. Pela primeira vez a conferência aconteceu no “coração da floresta”. Por ter acontecido no nosso país, a quantidade de informação e a visão do que está dando certo e o que está dando muito errado ficou evidente. 

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), 2.600 cidades brasileiras têm risco alto ou muito alto para desastres naturais. Em um piscar de olhos, a falta de cuidado com o meio ambiente acaba arruinando a vida dos brasileiros de forma catastrófica. 

Seca extrema, tempestades desastrosas, calor insuportável, ventos devastadores. Acordos e desacordos. As pessoas que apoiam essas reuniões sentem as mudanças climáticas e as que não apoiam também. A preocupação com o clima é válida e necessária. Entre erros e acertos, os países se encontram 30 vezes para procurar alternativas que resultam em acordos apropriados ou não. Tanto que, a maioria das críticas são relacionadas a desorganização do evento, presidentes egocêntricos e protagonistas querendo tirar o foco do objeto principal de estudo: o clima.

Finalizo com um parágrafo escrito pela Presidente do Sistema Global de Observação para o Clima (GCOS), Thelma Krug, que já representou o Brasil em algumas COP ‘s. “Sem as negociações nas COPs, o planeta estaria hoje numa situação muito mais fragilizada, com eventos extremos ainda mais frequentes e intensos. As COPs, por estarem sobre o guarda-chuva das Nações Unidas, são o único fórum em que todos os países membros da convenção, os 196 países, têm a mesma voz, independentemente do tamanho de seu território, da sua população ou da sua economia”.

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